A desconcertante constatação do óbvio
Os três vídeos apresentados me tocaram bastante. Especialmente as reflexões sobre avaliação e os "três níveis de pensamento sobre ensino", proposto por John Biggs e apresentados no vídeo "Teaching Teaching & Understanding Understanding".
As provocações sobre a relação da avaliação com as intenções do professor, ou melhor, do que a falta desse alinhamento pode gerar são muito preocupantes, apesar de serem quase óbvias. E é a desconcertante constatação do óbvio que nos choca quando olhamos de forma detalhada para nossa prática docente. O que realmente estamos cobrando de nossos alunos nas avaliações? O que as avaliações avaliam. E nesse sentido o que é essencial da minha disciplina, do meu conteúdo? Quando as intenções do aprendizado e as metodologias de avaliação não são pensadas de forma alinhada podemos estar premiando alunos que não alcançaram os objetivos que nós mesmos propusemos e penalizando outros que alcançaram, tendo em vista que as avaliações podem estar “medindo” o aprendizado de outras habilidades e competências.
Acredito na importância de uma avaliação bem feita, e procuro fazer momentos avaliativos em grupo que sejam também momentos de aprendizagem, pois percebo como as trocas entre os alunos (que está na base da Peer Instruction do professor Mazur) são válidas e potentes. Mas acho que minha crítica as avaliações, ao fato de que vários aprendizados não são quantificáveis, especialmente no campo da Arte e da Educação Física, me fizeram ser relapso em alguns pontos.
Isso impulsiona ainda outras reflexões. Já faz um tempo que, a ausência do aluno em sala não é algo que me incomoda profundamente. Me explico, acho fundamental que o aluno esteja em aula, mas entendo que ele tem um número de faltas das quais pode lançar mão. Acredito que saber como administrar o próprio tempo e a própria energia também são habilidades importantes de serem desenvolvidas no caminho da autonomia. Por isso, no caso das práticas corporais da Educação Física, ele pode aprender comigo a fazer um “rolê” da capoeira, ou pode aprender em casa vendo um vídeo.
Uma das atividades avaliativas que utilizo para conteúdos específicos é a apresentação em grupo, para a qual sorteio quem irá apresentar. No caso da movimentação “rolê” o aluno é sorteado e a nota da apresentação dele é de todo o grupo. E eu deixo esse formato claro desde o início da disciplina, e deixo tempo em sala, na aula anterior a avaliação, para que os integrantes do grupo troquem seus conhecimentos, pois eles sabem que todos podem ser sorteados. Isso funciona em partes, já que a sorte pode influenciar muito a nota do grupo. Funciona como um incentivo para o aprendizado, mas não como uma avaliação real de aprendizado e desempenho. Essa precisaria ser individual. Mas como avaliar individualmente em práticas em grupo?
Essas, e outras reflexões, têm me forçado a olhar com cuidado e carinho para minhas práticas docentes, procurando estranhar o que já é comum, o que já é óbvio. Há muita coisa pra ser feita e essa constatação traz ao mesmo tempo, a empolgação pela possibilidade de melhora e algum desânimo pelo longo caminho a frente. Seguimos.

Que maravilha de postagem, professor! Penso que a REDE IFR ainda precisa debater, e muito, o balanço entre conteúdo e aprendizagem (menos é mais, diriam alguns...). Além disso, sonho com uma instituição que traga como base uma avaliação de aprendizagem baseada na demonstração de aprendizagem (de competência!?!). Enfim, amanhã, teremos visitantes ao nosso curso. São estudantes que viveram uma forma diferentes de aprender e de demonstrar o que foi aprendido. Pergunte a eles todas as suas questões, ok?
ResponderExcluirCom as aulas remotas pode vero aluno de outra forma essa frase diz muito ao que estou vivendo :"Acredito que saber como administrar o próprio tempo e a própria energia também são habilidades importantes de serem desenvolvidas no caminho da autonomia." ,sou professora de química e pedi aulas alunos que fizessem um experimento em casa e apresentassem da forma que quisessem ,me deparei com varias formas ,áudios por vergonha do vídeo, vídeo apenas com o experimento ,entre outros,mas um me chamou a atenção a aluno tentou produzir um vídeo com fotos ,partes em vídeo escrita e ainda pediu desculpa por que esta aprendendo mas iria melhor na edição,nossa achei fantástico e pensei e agora como seria a minha avaliação?
ResponderExcluirLeciono no vale do Jequitinhonha em Minas gerais onde os recursos tecnológicos da escola não existem.