Quanto Tempo o Tempo Tem

Hoje assistindo ao filme "Quanto tempo o tempo tem", disponível no Netflix, me veio algumas reflexões/inquietações relacionadas ao cenário que vivemos atualmente {pandemia, suspensão de aulas presenciais e avanço das discussões sobre o ensino a distância} e a dosagem de tempo abordada por Fullan (1996) em seu artigo Cultura Profissional e Mudança Educacional. 

Não tem como negar que, principalmente aqui no ocidente, vivemos sempre correndo e reclamando da falta de tempo. Não muito raro ouço pessoas dizer "queria que meu dia tivesse 48 horas". Me parece que o advento das tecnologias digitais, sobretudo das mídias sociais, tem acentuado essa sensação de que o tempo é tão curto. Soma-se a isso a cobrança de produtividade a qual somos constantemente bombardeados no contexto em que estamos inseridos.

Fonte: https://catracalivre.com.br/criatividade/14-dicas-para-que-este-seja-o-ano-mais-produtivo-da-sua-vida/

Dito isto, começo a me indagar: será que ao propormos metodologias de ensino em que o aluno precise acessar materiais e atividades em casa não estaríamos tirando dessa criança ou jovem seu tempo de descanso? O que poderíamos fazer para evitar uma sobrecarga dos estudantes e dos professores? Qual estratégia didático-metodológica não causaria tanto impacto sobre essa invasão no tempo das pessoas? Não tenho uma resposta para isso, nem acho que haja uma resposta única e objetiva sobre o assunto. Mas penso que seja uma reflexão importante, tanto no contexto da pandemia, em que somos atingidos por tantas informações que nos causam vários sentimentos {ansiedade, medo, preocupação}, como para além dela, ao considerarmos aspectos da saúde, sobretudo emocional, dos seres humanos.   

Comentários

  1. Oi, Bruna! Eu acredito que um bom plano individual de estudos deve ser a solução para o problema elencado e uma aprendizagem por competência facilitaria um pouco... E, por isso, repensar a cultura da escola e a dosagem de tempo ao trabalho docente é tão importante, pois os professores podem ser mentores que auxiliam na resolução de dúvidas.

    As escolas que funcionam como linhas de produção, em que o sucesso é medido pela aprovação em exames nacionais, não fazem mais sentido (talvez nunca o fizeram - lembra do Bordieu?). Por favor, veja o vídeo - https://www.youtube.com/watch?v=QY2p4OKJKfw

    Desenvolvemos pessoas que precisam contribuir com a sociedade e o adestramento para marcar "X" não é a solução. Precisamos entender que cada um tem o seu tempo de aprendizagem, também. Perceba que alguns completam o curso em três anos. Outros precisarão de cinco. Porém, a escola está preparada para graduar estudantes em dois anos? Veja... Um estudante filho de um casal de canadenses, fluente em inglês - escrita/fala, seria liberado das aulas de inglês do curso no IFNMG ou acelerado em sua formação?

    A pergunta é: realmente reconhecemos o conhecimento prévio do estudante? Ou é o conteúdo (muitas vezes imenso) previsto nas ementas mais importante que tudo?

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  2. Antônio, no dia que vi o documentário fiquei tão angustiada que não consegui vislumbrar a saída, rsrsrs. Você clareou meus pensamentos! Vejo que a saída seria realmente a PERSONALIZAÇÃO do ensino e a aprendizagem centrada no estudante.

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